Neste livro denominado simplesmente de “Haikai” Marcelo Frazão discute temas essenciais em 43 poemas: a alma, os desejos, a morte, os sentimentos, a solidão, o tempo, a vida. A dimensão filosófica ultrapassa a dimensão da natureza, deslocando a forma japonesa para o território das ideias. Frazão usa o haikai com a libertinagem usual da linguagem poética para glosar o corpo. Em “Haikai”, a natureza é, em grande parte, o corpo humano, seus desejos, sua finitude. O amor pode ser uma libertação e uma prisão. A meu ver, o poeta é leitor de textos budistas e tem ciência de que o excesso de desejo torna os homens escravos. Como observa Olga Savary no prefácio, quando fala sobre a morte, o efêmero, o poeta se aproxima da dicção oriental, recortando realidades diminutas. Eis então porque o haikai atravessou os séculos: para que a humanidade não tenha apenas uma visão antropocêntrica. O desejo que ilumina corpos terrestres, também ilumina outros corpos, celestes, marítimos expandindo o microcosmo no macrocosmo. São estes lampejos que você vai conhecer ao mergulhar no universo de Frazão.
Maríia Kubota
Escritora e poeta