Ordep Serra e Alvim inauguram a coleção DOIS PONTOS
que reúne, no livro “Sofia e o Centauro da televisão”, poesia e artes plásticas.
Inaugurando a nova coleção da Villa Olívia, Ordep Serra e Alvim convidam os leitores e amantes da Arte a uma nova visita ao misterioso Condomínio Lírico, onde Sofia festeja suas metamorfoses e nos provoca a uma busca incessante. O convite se estende para uma viagem em companhia do Centauro da Televisão, que sua saudade(de Sofia, a Sabedoria) anima. Durante a jornada seremos guiados pelas figuras que a Madona sedutora cria para atrair-nos, ao tempo em que se esconde sob sua pele cambiante. Vamos seguir o rastro da fugitiva Psiquê, rezar à Rainha do Carnaval, pedir a bênção da Feiticeira, voar no Pavão Misterioso, ouvir a Cantora Selvagem, rever Adama, a criadora, adorar a inefável Ctônia.
Em “Sofia e o Centauro da Televisão”,os poemas evocam a beleza, paixões da infância, festas populares, sensualidade, política, mistérios humanos e divinos e tantas outras expressões e emoções que se renovam com o passar das páginas ou releituras. Ordep ilumina com um olhar amoroso e telúrico de exaltação à vida e adentra a paisagem humana onde se consolida sua sensibilidade de poeta e nos faz refletir, com inteligência e refinado humor, nosso lugar e a sua condição de viajantes pela vida. Assim como nas imagens desenhadas por Alvim, o leitor é surpreendido pelos traços precisos e pela materialização dos personagens criados por Ordep – personagens embalados por ritmo e intensidade humanas que nos contagiam e envolvem o leitor com seu poder imagético. Neste trajeto lírico, poesia e imagens nos convidam a pensar com a imaginação, celebrando antigos amantes de Sofia, honrando sua paixão e revivendo seus belos delírios.
Em tempos difíceis como os atuais, a poesia se faz necessária como nunca. Envolve jogo e descoberta, chama à aventura, fortalece, ampara e renova. Sofia está na origem, tem a energia da criação. Carecemos de seu alento. É preciso arriscar-se a desejá-la, aceitar seus desafios, deixar-se conduzir por sua extravagância, contando com a coragem que ela também inspira. Só assim a escuridão de um mundo estéril pode ser vencida. Só com poesia recobramos a força criadora, o vigor que vem do caos originário.
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Sobre os autores:
Ordep Serra - (1943)
é autor de mais de trinta livros publicados, abrangendo tanto o ensaio quanto a prosa de ficção e a poesia. Helenista, traduziu obras de Sófocles, Eurípides e Homero, sendo o primeiro a verter os Hinos Órficos para a língua portuguesa. Dos prêmios nacionais conquistados, destacam-se o Prêmio Braskem da Academia de Letras da Bahia, em 2010, pelo romance Ronda, e o Selo Literário João Ubaldo Ribeiro, em 2014, pelo livro de contos A devoção do diabo. É bacharel em Letras e mestre em Antropologia Social pela UNB, doutor em Antropologia pela USP, com estágio no Centre Louis Gernet da École de Hautes Études em Sciences Sociales, e pós-doutor em Letras (Criação Literária) pela UFBA. Em 2018 foi agraciado com a medalha Mário de Andrade pelo IPHAN.
Alvim - (1972)
é Graduado em Gravura, mestre e doutorando em Artes Visuais pela UFRJ. Sua obra gráfica é povoada por seres híbridos, mitológicos e fantásticos, representados por um estilo muito pessoal. Paralelo à criação artística, Alvim construiu sólida carreira no design de grandes jornais. Desde 1991, atuou no Jornal dos Sports, Tribuna da Imprensa, O Dia, Jornal do Brasil e O Globo, onde é, atualmente, Editor Executivo Visual responsável pelo design e fotografia. Ganhou mais de 100 prêmios, nacionais e internacionais, de design de notícias, entre eles: Prêmio Esso, Prêmio Petrobrás de jornalismo, SND, Malofiej e NH. Em 2024, recebeu o Prêmio Aquisição no 52º Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto.